Falando de geometria sagrada…

A maioria das nossas experiências meditativas, centram-se no hemisfério direito do cérebro – o nosso lado intuitivo, emocional e sentimental. Quando meditamos, geralmente, sentimo-nos muito bem. Às vezes, durante as meditações, conseguimos ter visões ou imagens, ouvir sons calmos ou vozes inspiradoras. Todas estas sensações se localizam no lado direito do nosso cérebro; o emocional e intuitivo.

Qualquer um que tenha tido experiências meditativas, fica com a sensação de ter tido uma experiência maravilhosa, mas mal começa a tomar consciência da realidade, começa a duvidar da validade da experiência que acabou de ter e começa a ter uma conversa do tipo “Nada disso! É tudo imaginação minha, isto não pode ser verdade, devo ter inventado estas coisas…”

O que acontece, é que o lado esquerdo do cérebro, não foi envolvido na experiência, ou seja, o teu lado esquerdo, o teu lado lógico, não teve qualquer envolvimento com o teu lado direito, com o teu intuitivo, e por isso não sabe o que fazer com estas experiências. Então, o teu cérebro desata a fazer o que os pensadores, aqueles que têm a mente muito activa, geralmente, fazem, começa a rejeitar as tuas experiências intuitivas utilizando questões puramente lógicas e racionais. E como a tua experiência foi puramente emocional e intuitiva, não tem por isso uma base lógica de sustentação. E é assim que começamos a diminuir as experiências internas que temos, com tanta facilidade.

Este é só um dos exemplos do que acontece quando os teus dois hemisférios cerebrais não estão a trabalhar em conjunto tal como deveriam. O teu lado lógico mantém-se céptico e por vezes até cínico, acerca do valor das experiências que acontecem no teu lado direito ou intuitivo. É como usar só um motor do barco num percurso e, em que, se utilizares os dois motores, chegas lá muito mais depressa.

Então, significa que existe aqui um desafio! Ou seja, temos estas experiências maravilhosas, estes ‘insights’ e visões fantásticas que são potencialmente úteis ao nosso progresso e desenvolvimento, mas assim que saímos daquele estado meditativo e começamos a utilizar o lado lógico do cérebro entra a dúvida e as questões.

E como é que damos a volta a isto? Como conseguimos ter os dois lados do cérebro a funcionar em conjunto? Pois bem, a vossa resposta, está na Geometria Sagrada!
A Geometria Sagrada é basicamente a geometria focada em descrever a criação e/ou consciência; o movimento da consciência pela realidade. E como está em movimento (em vez de ‘ler’ ou ‘observar’, não é por isso uma actividade estática) apela directamente ao nosso lado racional do cérebro. Mas a Geometria Sagrada não é algo que olhes e penses ‘Sim, já percebi!”, tens mesmo que agarrar num lápis, num compasso, e em papel e começar a desenhar.

CCB: é uma experiência hipnótica, asseguro-vos.

E o que acontece quando começas a desenhar é que o teu lado esquerdo do cérebro está envolvido também – e então começas a fazer, a criar algo. É então que se dá a magia! Ao desenhares estas imagens (não só por olhares para elas) começas a aceder à essência da tua/nossa realidade, a base da criação numa linguagem que o teu lado lógico consegue finalmente entender. E assim que inicias este processo, começas a permitir ao lado esquerdo do teu cérebro, o racional, compreender uma explicação lógica para a Unicidade de todas as coisas. E fazes isto porque, em parte, estás a desenhar a realidade, a descrevê-la simplesmente porque estás a usar as formas e figuras construtores da nossa realidade. Aqui, o teu lado lógico começa a entender! Começa a envolver-se na tua experiência espiritual, e num ápice, tens os dois motores do barco na água e estás em marcha a toda a velocidade.

Ao olhar para a imagem da Flor da Vida pensamos que é demasiado complicada para se desenhar. Mas por agora, olhemos para esta imagem e pensemos que ela é a base para muitos.

[O perímetro do quadrado e a circunferência do circulo são (aproximadamente) do mesmo tamanho. Assim, se um dos lados do quadrado for 3cm, então a circunferência do circulo tem que ter 12cm – o que significa que o raio do circulo seria de 1,9cm – mas verifiquem por vós mesmos.]

Quando fiz estes desenhos a primeira vez, percebi que descreviam a relação entre o circulo e o quadrado, o feminino e o masculino. E mais, descreve a relação num lado bastante masculino, ou seja, através de linhas rectas (no lado feminino usam-se as formas curvas).
Agora, ao ler o parágrafo acima podes até dizer “Sim, isso é verdade”, ou podes agarrar num lápis, compasso e papel e desenhar por ti mesmo. Depois podes começar a sentir a diferença entre olhar para a Geometria Sagrada e praticá-la – “a diferença entre saber o caminho, e caminhá-lo”.

CCB: Como se pode saber o caminho sem o caminhar? Se o caminho se faz em cada passo que damos? Por isso digo, deixemos fluir a vida, sem pará-la em processos egóicos(puramente mentais), porque não saberemos o que temos pela frente se não vivenciarmos.

Nestes desenhos o processo é o mesmo, acontece por vezes ter em mente uma coisa e sai outra totalmente diferente, porque me envolvo e entrego de tal forma, que o resultado, é aquilo que os meus dois lados do cérebro quiserem experiênciar. Assim é a vida também!

Contudo, fazer estes desenhos, não é uma experiência unicamente pertencente ao lado racional e lógico. Formas como o Ovo da Vida (imagem abaixo), possuem uma beleza tão grande e universal que apelam à nossa parte mais básica, mais essencial, dentro de cada um de nós.

Falam do que de mais belo existe dentro de nós, e que está esquecido, mas pronto a ser acordado uma vez mais. Uma beleza reconhecida intuitivamente, mas também logicamente, e por isso holísticamente. Formas e figuras que nos recordam o nosso lugar no universo e a forma como sentimos e entendemos, movimentamos, e criamos harmonia no nosso próprio mundo, logo, em tudo o que nos rodeia. São as formas que geram a essência do nosso universo muito particular e do Todo.

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