Mundo subterrâneo Al-Shantara (sintra mourisca)

1. Biçmillah Irrahma Irrahim!

Em nome de Deus, beneficente e misericordioso!

6. Ehdená ´cçaráta ´Imustaquim,

Mostra-nos o bom caminho,

7. Çeráta ´lladína aneâmta âlaihim,

gâiri ´Imaghdúbi âlaihim, walá ´ddallin!

Amin.

O caminho desses que tens favorecido; não o

caminho desses que incorrem na Tua cólera

nem o dos que se perdem! Ámen.

Alcorão, “Al Fathia” – A Introdução

Corria o ano 1147. O alcácer fortificado de Xentra acabara de ser ocupado pelas forças sitiantes de Ibne Arrique. Não se dera terçar sangrento. As espadas e as cimitarras não haviam deixado o repouso das bainhas. Os alaúdes e as cítaras não haviam parado para repousar; os risos, os cantos e as danças descuidaram a interrupção… Houvera acordo: Cristãos e Mouros poderiam coabitar na maior paz e concórdia nesta Meca ocidental, nesta Tulan de antigos e coevos onde o sangue de homem jamais deveria profanar a Terra de Deus.

«Paraíso Terreal»! – Al-Shantara, Xintara, Xentra, Cyntia, Cintria, Cintra, Sintra.

Assim foi, assim se deu. Ficando firmados no alcácer os acordos de respeito e boa convivência mútuas, os Cavaleiros do manto branco em que se lavrava a Cruz vermelha de Cristo, fizeram-se ao castelo no cimo do Monte dos Penedos, altaneiro e misterioso.

Ibne Arrique, ou seja, Afonso Henriques, ia na dianteira. Ele sabia o que os esperava… Dera tempo para a retirada segura dos discretos eremitas e santões Muridj dessa Rábita do Ocidente, dessa Torre da Fé islâmica onde os mais sábios e perfeitos, morabitos reclusos voluntários na Serra da Lua, viviam apartados dos de baixo, dos da almedina vilareja, e tendo a protegê-los externamente uma guarda pouco mais que simbólica de 30 guerreiros, os Refik.

Ante o pasmo não de todos mas da maioria dos Templários, o castelo estava vazio, a mesquita de Fátima, ao lado, despojada das suas relíquias sagradas… não se via vivalma. A vida humana havia desaparecido como por encantamento, como que tragada nas entranhas cavernosas desta Serra teimando, contrariando todos os acidentes próprios à vulgar natureza do ser homem, em manter a condição milenar de Sagrada, essa mesma advinda dos alvores do Género Humano.

O olhar mais atento de alguém, talvez o Grão-Mestre Gualdim Pais, acaba divisando, por entre as brumas da serrania e à porta da fortaleza, um vulto humano. Era um velho, um ancião de Xentra que recebe Ibne Arrique com um sorriso repleto de enigma, e logo após lhe entregar a Chave da Rábita retira-se subindo por ponto adarve, assim também esse velho desaparecendo nas entranhas do mistério… o último Muridj ou Mouro de Xentra.

Foi assim que Sintra foi «conquistada» aos Mouros, na narrativa das crónicas e lendas antigas, não com estas palavras textuais mas com as de cada autor e todos de acordo quanto à descrição do acontecido.

Como puderam desaparecer tão misteriosamente os mouros do castelo? Por onde desapareceram? Para onde foram?

Certo é que havia «boca de fuga», e esta estaria junto à torre albarrã, numa tulha escondendo um túnel ligando o castelo a Rio de Mouro que então ainda não existia como povoação, tão-só uns míseros e dispersos casebres na paisagem plana, então enfeitada com o arraial de D. Afonso Henriques – seriam 6 a 8 quilómetros em linha recta, de caminho subterrâneo. Será isto verdade?

A verdade é que o Rio de Mouro (antes, de Mouros) existe e o túnel ou gruta também, precisamente em Colaride, no limite Este do Cacém e que antanho pertencia à freguesia do Algueirão – Rio de Mouro. Ainda hoje corre aí a Ribeira das Jardas que separa as duas freguesias, sendo curioso que a palavra árabe cacéme (donde cacém) significa precisamente “a divisão”. Esta gruta de Colaride é também donominada “Gruta dos Mouros”, “Fojo dos Mouros”, “Algar”, etc. Possui quatro poços sendo o maior de 12 metros de profundidade, dois com uma profundidade de 7 metros e um último com 4 metros. No fim do primeiro poço existe um sifão temporário. Sendo uma gruta própria para especialistas em espeleologia, é altamente irrecomendável a visita a ela por curiosos incautos devidos aos perigos que a sua estrutura acidentada apresenta, já aí tendo ocorrido alguns acidentes graves. No seu interior, correm duas ribeiras subterrâneas e há uma cascata de 15 metros de altura e um lago, havendo alguns corredores e galerias de grandes dimensões que já foram designados com nomes como “Sala das Lamas” ou “Sala do Túmulo” (este último epíteto é bastante significativo, por um facto mantido secreto mas que descreverei mais adiante). É desta gruta pré-histórica ligando o cimo da Serra de Sintra à planura mais adiante que a cerca, que o Algueirão herda o seu nome, pois o nome árabe Al-Gueirum, plural de “Algar”, significa exactamente “Caverna”. Mais adiante desta localidade, levanta-se a Serra das Minas!…

Gruta dos Mouros, Colaride

O Visconde de Juromenha, na página 134 da sua Cintra Pinturesca, Lisboa, 1838, após pegar na tradição oral correndo na terra, escreveu sobre o assunto indicando a passagem subterrânea no Castelo dos Mouros:

«Indo para a primeira torre se encontrava uma tulha que tinha cinco palmos e meio de diâmetro, por onde dizem que havia uma estrada encoberta que ia até Rio de Mouro, e que dela se denominara o dito Rio, e para a parte direita se divisava o sinal de uma porta por onde dizem era a dita entrada.»

Conhecedor dessa tradição mais oral que escrita e decerto suspeitando não haver fumaça sem fogo, em 1970-72 o espeleólogo Augusto Morgado investigou e descobriu a dita passagem subterrânea do castelo, notícia que publicou no jornal Época, 12 de Agosto de 1972. Ao mesmo tempo é descrita a passagem subterrânea que liga o espaço actual da cave do Café Paris ao Palácio da Vila e que sobe subterraneamente até ao Castelo, facto já conhecido dos Templários que estiveram acantonados no lugar das Murtas e foram os primeiros a restaurar esse primitivo Palácio árabe, dando-lhe feição ocidental, românica originalmente (século XII), e depois gótica já pela mão da Ordem de Cristo (século XIV). Exemplo de hipógeo com fim ritualístico será também  o conjunto de galerias subterrâneas ocultadas nas traseiras do edifício oitocentista do Café da Avozinha defronte para o Palácio, antigo Paço Real.

A verdade é que debaixo do Castelo dos Mouros existe uma imensa gruta natural que é das mais belas da Serra, entrando-se por baixo (está vedada por uma porta de ferro) junto ao caminho que leva à entrada principal no mesmo. Junto a ela passam diariamente inúmeros visitantes, por certo completamente alheios da maravilha natural que aí se esconde.

Há ainda a lenda da “Moura dos Sete Ais” (Seteais) que deu sete supiros pelo cavaleiro cristão, talvez Templário, D. Mendo de Paiva, quando este a viu com outros mouros escaparem-se por uma porta secreta no Castelo e a fez cativa… Trata-se de uma “lenda de amor” inserta no imobiliário das lendas de “Mouras encantadas”, tal qual aquela outra versão da moura Zaida, filha do alcaide do castelo, dada de amores por um cavaleiro cristão mas que desapareceu nas entranhas da Terra por uma passagem secreta que a lenda diz haver aí, no próprio castelo, na parte que hoje dá para o fronteiro Palácio da Pena ou da Penha sobre que corre uma outra lenda, a da “Gruta da Fada”, por muitos confundida com a “Gruta do Monge” Jerónimo dentro do Parque envolvente do Palácio. Essa lenda, publicada pela primeira vez no jornal-revista Cyntra, n.º 6 de 1912, assim conta: “Gruta formada por uma imensa rocha de granito, apoiada em dois rochedos que a flanqueiam. Diz a lenda que uma fada todas as noites, cerca da meia-noite, ali vai carpir o seu destino. A referida gruta fica na entrada da Pena, à esquerda de quem sobe, quase ao chegar ao portão principal do Parque da Pena”. Sei muito bem que a localização está errada, porque tal “Gruta da Fada” é vizinha do “Gruta do Monge”… e daí os equívocos constantes entre ambas. Nesta “Gruta da Fada” ou da “Moura escondida”, para não dizer, MORYA RECOLHIDA, há anos atrás a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA / ORDEM DO SANTO GRAAL (KURAT-AVARAT) depositou duas peças sagradas: encravou no chão ao fundo da caverna um ramo de carvalho em Y (que chegou a florescer, tamanho o fenómeno!), e impôs noutro extremo, sobre uma espécie de altar granítico saída da própria Serra, uma taça de madeira, que a humidade e os gotejos subterrâneos aos poucos foram transformando-a em taça de pedra… O Arquivo Interno da C.T.P. possui fotografias dessas peças, tal como da Santa Virgem com a Flor-de-Lis aos pés que a mesma Entidade depositou no Altar da “Gruta do Monge”.  Y, Taça e Virgem Mãe, incarnando a própria Serra marcando o Itinerário de IO ou a Mónada Peregrina por ocidentais plagas, vale bem por EX OCCIDENS LUX!

Gruta da Fada, Parque da Pena de Sintra

Outra referência não menos misteriosa e ctónica do Castelo dos Mouros, está na lenda que sob a sua cisterna se encontra enterrado e encerrado, num sarcófago de bronze e prata, um Rei Mouro, até hoje protegido por uma horda  implacável de demónios ou djins, tão caros à tradição religiosa islâmica!… Essa lenda tão antiga ficou perpetuada, desde o século XVI,  num poema de Gil Vicente, o seu Triunfo do Inverno:

(A Serra de Sintra que fala):

Eu tenho muitos tesouros

Que lhe puderam ser dados

Mas ficaram encantados

Deles de tempos de Mouros

Deles dos antepassados

………………………………………….

Um filho dos Reis passados

Dos gentios Portugueses

Tenho eu muito guardado

Há mil anos e três meses

Por um mágico encantado

E este tem um jardim

Do paraíso terreal

Que Salomão mandou aqui

A um Rei de Portugal

E tem-no seu filho ali.

Sobre esse “Rei Mouro”, Morya ou MARIZ, algo tenho a dizer. Mas antes devo indicar que os Mulâs, “professores, teólogos”, de Xentra, e por mais ilustres que fossem, eram eles mesmos condiscípulos daqueles outros encobertos “Homens Santos” ou MURIDJ, antes, MARIDJ ou MARIZES, constituídos em Ordem Iniciática de nome arábigo DÂR ALLATH AS-MARAH, MURIDJ ou MARIDJ – os “Perfeitos da Tebaida da Deusa-Mãe”… E Sintra está sob a égide de Vénus (bronze) agindo através da Lua (prata) na Terra Sintriana.

Castelo dos Mouros de Sintra

Esses mesmos raros e Iluminados MARIDJ haviam estado presentes na fundação da Ordem de MARIZ (congregando a quintessência iniciática das três correntes tradicionais do Livro, como sejam: Judaica – Cristã – Islâmica, consignadas na tão simbólica quanto real TORRE DA FÉ expressa como Poder da Vontade, Amor-Sabedoria e Actividade Criadora ou Realização, em cuja sombra benfazeja se abrigou depois a Linhagem Lusignan, como extracto único dessas três), no transmontano S. Lourenço de Ansiães, junto ao Rio Tua, com D. Afonso Henriques na dianteira.

Também aí, nesse esconso de Trás-os-Montes, sobre os Marizes, Makaras, Marus, Moryas ou Mouros… havia a tradição de aparecerem e desaparecerem misteriosamente por entre as entranhas vitriólicas da Mãe-Terra, tal qual aquelas estátuas dos dois franciscanos no Convento dos Capuchos da Serra de Sintra, um subindo e outro descendo do e no seio da Terra.

Na revista O Domingo Illustrado, 2.º volume, n.º 57, Fevereiro – 1898, Lisboa, encontro a seguinte e significativa notícia do que existiu junto a uma aldeia colada à de Pombal de Ansiães, onde se formou a ORDEM DE MARIZ nesta 5.ª Raça-Mãe Ariana:

«Seixo de Ansiães – próximo a esta aldeia, e acima da capela de Nossa Senhora a Velha, existem três covas: uma com 25 palmos d’altura e duas com 30, tão largas, que no fundo de cada uma d’elas estão plantadas muitas oliveiras (emblemáticas do Espírito de PAX).

«Dentro de uma concavidade, quase entupida, que está por baixo destas covas e pegada a elas, existem, segundo dizem pessoas que nela entraram, várias salas, das quais, por uma galeria subterrânea, se vai ter ao rio Douro (antes, rio Tua), que fica a 3 quilómetros de distância.»

Trata-se de uma rede de canais subterrâneos que, comunicando uns com os outros, vai adentrando cada vez mais fundo o seio da Terra…

Tal qual ocorria na Penha Longa de Sintra, junto à Lagoa Azul, onde um espaço subterrâneo dava acesso a outro e cada vez mais fundo… até à estonteante agonia da profanidade. É novamente o Visconde de Juromenha (in ob. cit.) quem dá notícia disso:

«A pouca distância deste Mosteiro (dos Jerónimos da Penha Longa) está uma gruta de cristalização que antigamente foi fechada, e que foi descoberta segundo me afirmou (por constar de memórias antigas) por um Monge deste Convento no reinado d’El-Rei D. João 3.º. Desce-se para esta gruta por uma porta (que noutro tempo serviu para a guardar) que está a sete ou oito pés de altura, com ajuda de uma escada de mão: logo em baixo há um pequeno largo, donde segue uma mina pela terra dentro, pela qual é necessário, em parte ir de rastos e vai terminar em outro pequeno vão. Pela porta superior há uma fenda por onde o sol, penetrando os seus raios com um efeito maravilhoso, torna fulgente esta casa cristalina. As águas que lhe entram julgo terem formado para o lado esquerdo, onde parte um ramo da gruta, e onde parece mais escavada algum depósito, porque os vizinhos têm por costume avisarem aos curiosos de evitarem um poço, que asseveram existir naquela mina.»

Também não raros escritores árabes assinalaram Xentra, Xintria ou Xintara como uma montanha oca, de largos espaços abertos no interior. Abu Ibn Mahmud Al-Qazwini (1203-1283), na sua Geografia Ajâ´ib al-Buldân (“Maravilhas dos Países”), posteriormente editada por Wüstenfeld, Göttingen, 1849-51, refere junto a Lisboa (em Cascais) a existência de uma caverna na qual o mar entra com grande estampido. Quando as ondas irrompem, a montanha que fica por cima (adiante) estremece. Diz ainda que quem de fora vê o fenómeno, parece que quando as ondas entram a montanha se eleva e quando saem, volta à sua posição normal.

A Geografia de Cazuíni, transcrevendo a de Al-Údri, dá a mesma notícia e adianta:

«Nos arredores de Lisboa existe uma montanha na qual se encontram pedras barâd (fosforescentes). Estas pedras brilham de noite, como lâmpadas. Informou quem já foi ao cimo desta montanha que estas pedras, com efeito, iluminam como se fossem lanternas. Esta montanha é uma mina de ónix.»

Informação igual é dada por Qazwini, dizendo que em Xentra há pedras em forma de bolota e de granito, assim como outras que à noite brilham como lanternas ou archotes e são de ónix. Acrescenta que na Montanha de Sintra há muitas pedras medicinais com as quais se preparam solutos bons para os rins, além de que na costa próxima colhe-se um âmbar de primeira qualidade, semelhante ao melhor do mundo, o “xajarî” da Índia.

Independentemente da riqueza mineralógica do seio fecundo de Sintra, os textos parecem sugerir por igual uma relação velada com a Alquimia, em que o Saber Arábigo foi mestre, tanto por o ónix ser considerado por persas e hindus como protector contra as más vibrações psicomentais e acelerador do parto ou separação do denso em subtil, como também, pela definição de Dionísio Zacarias (1510-1556), em Opuscule de la philosophie naturelle des métaux, apud Bibliothèque des philosophes chimiques, t. II, p. 1741, «a Alquimia é uma parte da Filosofia Natural, a qual demonstra a forma de perfazer os metais da terra, imitando a Natureza o mais perfeitamente possível».

Muito mais tarde, reinando D. João V, o naturalista francês Merveilleux afirmou, no relatório que lhe encomendou o monarca, ter visitado o mundo subterrâneo sintrense e lá encontrado pedras preciosas, indo assim confirmar as assertivas dos antigos geógrafos árabes.

Tudo isso rematado nos dias actuais pela confirmação dada no Instituto Nacional de Meteorologia por Helena Abreu, especialista em magnetismo: «Sintra é um antigo vulcão e por isso é natural que seja um grande maciço magnético».

Com efeito, no mapa geomagnético da Península Ibérica esta Serra está identificada como uma das três zonas de maior magnetismo – as chamadas anomalias do campo magnético da Terra – baseadas na natureza dos minérios. Além de Sintra, tem-se Sagres e todo o aro megalítico do Alentejo.

Atendendo à Tradição Iniciática das Idades, então é muito natural que assim seja, pois no verdadeiro mapa geomagnético da Terra, Aqtab, Xentra é um dos 7+1 Quths ou Pólos dinamizadores da Vida e da Evolução do Globo, o QUINTO, correspondendo ao Quth-Xvarnah ou CHAKRA VISHUDA, o LARÍNGEO, como Âmbula, Vau ou Carreiro por onde se escoa, em forma de Verbo Criador, a Força Purpurina do Seio da Terra – KUNDALINI – e que leva o sugestivo nome tradicional Fogo Criador do Espírito Santo (SHIVA ou XVARNAH).

É por isso que, por exemplo, quem à noite olha de baixo para o castelo iluminado, bem no pico da Serra, vê as luzes reflectirem-se nas brumas e sobressair do impacto ou fusão, por efeito etérico ou akáshico, largo hausto luminoso cor de púrpura, afinal e por via do reflexo cromático dos cristais subterrâneos, o reflexo sobre a Terra da luz interior do Sol Oculto encravado no seio desta mesma Montanha Sagrada. Em contrário, se nada disso houvesse, obviamente só se veria a cor da luz eléctrica acesa e nada mais…

Se o Islão vota respeito profundo aos Djins, igualmente o Profeta Muhammad faz referências claras ao Mundo Subterrâneo no Alcorão, o que torna lógico e perfeitamente legítimo no cânone da Fé a relação com o mundo ctónico por parte dos seus seguidores ermitões e santões instalados nesta Serra mais Ocidental da Europa.

Com efeito, no Alcorão tem-se o Sura XVIII com o título «A Caverna», e no subtítulo «Os sete adormecidos» pode-se ler no Surata IX: «Consideras que os hóspedes da caverna são, entre os nossos milagres, uma maravilha?» E no Sura XX, Surata VI, a exaltação: «a Ele (Allah) pertence o que está nos Céus, o que está na Terra, o que está entre ambos e o que está debaixo da terra».

Talvez tenham a ver com tudo isso os sete tronos pétreos e as sete grutas no Parque da Penha de Sintra… logo trono subterrâneo para cada um dos SETE ADORMECIDOS corânicos, cujo QUINTO ora desperta, e com Ele o SEXTO e o SÉTIMO… ISHVARAS ou LUZEIROS, por o Quinto possuir em si a potencialidade dos posteriores.

As entranhas de Sintra, Serra Sagrada

Agora, sim, algo inédito tenho a dizer sobre «o túmulo do Rei Mouro», guardiado por dedicados Jinas ou Djins, em árabe, no esconso subterrâneo do Castelo dos Mouros, como Rábita (isto é, “Templo-Fortaleza”) MARIDJ. Para isso recorro a um Livro Secreto pertencente ao acervo interno da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA, trazendo de título Conversas Makáricas e que diz na página 44:

«De Sintra projectou-se a edificação da Obra Espiritual de S. Lourenço. Tal como através de Sintra – Portugal peregrinam já as Mónadas Eleitas para S. Lourenço – Brasil, umas ficando no Celeiro de TASSÚ e outras saindo do Celeiro de TASSÚ (S. Tomé das Letras), de acordo com a necessidade do Novo Ciclo que ora urge sob o patronímico IBERO-AMERÍNDIO. Por isso no Templo de MITRA-SHERIM (o de S. Lourenço), à boca de ZOARACI, há um túnel físico-akáshico inicialmente construído por EL RIKE e depois revigorado por JEFFERSUS, pelo qual discorrem as Energias Crísticas ou Búdhicas vinculando-o aqui, ao Templo de AK-SHERIM (o de Sintra), à boca de LZN por onde se chega pela SURA-LOKA, cuja entrada principal incrusta-se na parede de uma das muralhas no interior do Castelo dos Mouros, descendo-se logo em seguida 44 degraus até um anfiteatro de espaço razoável onde há um pequeno lago (com cerca de 5 metros de largura por 6,5 metros de comprimento), cujas águas afloram à superfície concentrando-se num reservatório ligado à lenda jina «do túmulo do rei sábio e dos demónios subterrâneos que lhe montam guarda». Esta lenda ainda vigora na memória da população local. Dizia, os caboucos internos do castelo assentam aí, e é a partir daí, região já interdita, que começa realmente a viagem levando à Catedral Universal do Mundo de Badagas.

«Nesse anteposto há um altar quadrangular saído da pedra maciça com alguns caracteres e gravuras lapidados no granito, falando em arábigo da REALIZAÇÃO DE DEUS (“Allah Ha Berith”), dizendo-se ter sido construído por Soleiman Ha Shari, filho do Vali de Xentra, no século IX. Diante do altar, num intervalo de cerca de 3 metros, há um sepulcro, o do Sábio Soleiman, sem outro adorno senão uma meia-lua sobreposta por uma flor de liz gravada na tampa trifacetada. Assenta sobre quatro colunelos nus.

«O Professor Henrique (JHS) esteve aí. Duas vezes em corpo físico, e muitas em corpo flogístico. Há uns anos correu na Vila de Sintra a notícia desse hipogeo proibido, notícia propalada pelo falecido guarda do Castelo e pelo antigo presidente da Câmara Municipal da edilidade, que também era maçom do Rito Escocês Antigo e Aceite, José Alfredo da Costa Azevedo, igualmente já falecido. Ambos falecidos por terem falado demais (não tendo autorização superior para isso), verdade seja dita!… O Poder Autárquico local de então pensou abri-lo ao público (!!!). Subitamente, deixou-se de falar no assunto e este morreu no esquecimento das mentes profanas, logo despreparadas, sem mais valia. Hoje, o portal que leva ao hipogeo jina “Al Berith” está “trancado a sete chaves”! Ninguém o abre nem abrirá, excepto dois ou três raros Iniciados acaso existindo nestas partes da Lusitânia. A enorme Chave de bronze em nossa posse, acaso também poderá ter a ver com isso e muito mais…

Caminho vedado na entranha da Serra

«Sobre esse anteposto, no meio da floresta, entre fragas e sombras, pululam agora (22.3.2000) quais zangões psíquicos adeptos e adeptas satanistas invocando as forças das trevas entre demoníacas fogueiras, sinistros labaréus, ao som do “requiem” dos atabaques e do coro de uivos dessas almas em extinção…»

Hoje, todo esse escarcéu psíquico está praticamente encerrado. Contudo, todos aqueles a quem foi feito apelo e nada fizeram a favor do Bem e da Luz, em defesa de Sintra e logo da Humanidade, e que são esse tipo de «adeptos», «iluminados», «sábios», etc., etc., povoadores do “esotericismo” (idiotário…) actual, estão os seus nomes bem escritos e inscritos num outro Livro Jina, levando de título: Livro de Gezebruth, o Dragão do Mal, e de subtítulo: A Fauna Irascível da Oitava Esfera.

Em resposta a uma carta privada datada deste mesmo ano (2010), sobre a presença Templária em Sintra e a sua relação com o Islão, tive oportunidade de dizer:

– Primeiro que tudo, a fonte cabal atestando que a Ordem dos Templários esteve em Sintra é sobretudo a Carta de Doação (1152) de D. Afonso Henriques e sua mulher, a rainha D. Mafalda, a Gualdim Pais, Mestre Geral da Província Portucalense do Templo, de «Damus tibi prefatas domus: damos-te as sobreditas casas, com as suas herdades cultivadas e incultas, para que as tenhas e possuas em todos os dias da tua vida». Prefatas domus quer dizer “casas já feitas” e “boas casas”. Aqui, “casas” no sentido de espaço imóvel, tendo podendo ser habitação como terreno culto, bom para semeadura e colheita. Há 3 cópias desta Carta de Doação no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Livro de Mestrados, fl. 66, e Ordem de Cristo, cod. N.º 233, fl. CXXXIII, e cod. N.º 235, fl. 68 v), estando todas datadas da era de 1190, correspondente a 1152 d.C. O Visconde de Juromenha na  sua Cintra Pinturesca (Lisboa, 1838), na página 208 (Casas em Cintra. Doação á Ordem do Templo.) após descrever «… mea Regina Mahalda facimus tibi Magistro Gualdino Cartam donationis et firmitudinis de domibus et hereditatibus cultis et inclultis quas tibi tradidimus apud Sintriam pro beneplacito  et fideli servicio quod nobis semper feciste Damus tibi prefactas domus cum suis hereditatibus ut habeas et possideas eas omnibus diebus vite tue», traduz exactamente prefa(c)tas domus por “paços já feitos”. Quanto à doação dos mesmos a D. Gualdim por todos os dias da sua vida, quer dizer: doação perpétua à Ordem do Templo, na pessoa do seu Mestre Geral da Província, enquanto a mesmo existir. Tanto assim é que não foi Gualdim Pais a dispor individualmente dessas casas mas o colectivo dos cavaleiros Templários (in Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (1744-1822), Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram. Lisboa, 1865, tomo II).

Um outro documento é o da Inquirição aos bens das Ordens e Mosteiros do Termo de Lisboa, que se procedeu no final do reinado de D. Afonso II (1220), ou já em pleno reinado de D. Afonso III (1258), pois que o documento (A.N.T.T., gaveta 1, m.º 2, n.º 18) não tem data. Diz sobre os bens dos Templários em Sintra: «em primeiro lugar umas boas casas na vila (in primis in villa unas bonas casas)», e além delas umas tendas, duas vinhas, uma almoinha, um moinho de água, um pomar no sítio de Almoster (sic) e ainda vários casais no litoral sintrense. Todos esses bens constituíam a «baylia»da Ordem do Templo em Sintra. Portanto, em Sintra a Ordem não teve Preceptoria (Priorado) mas BAILIA ou BAILIO (Comenda), com jurisdição sobre várias Granjas ou Fazendas suas dispersas pelo território em volta da vila, ou seja, no almosquer, que quer dizer precisamente, em árabe, “arrabalde”.

Pois bem, os “paços já feitos” referidos por Juromenha certamente não seria o Paço de Sintra que de imediato foi tomado ao Walî de Al-Shantara (Sintra) para a Coroa portucalense, mas as casas anexas ao mesmo Paço dentro da sua cerca que ocuparia todo o espaço da Praça da Vila e cujos alicerces corresponderiam aos da antiga cadeia da Sintra, além de ocuparem todo o espaço onde hoje está o Hotel Central, o Café paris e o caminho público denominado Calçada da Pendoa, isto é, do Pendão (certamente do Templo). Essas casas estavam assinaladas na planta de 1850 da Vila de Sintra, e foram demolidas em 1910, quando foram feitas severas remodelações que apagaram toda a feição primitiva desta vila, remodelações essas que já vinham, verdade se diga, do século XIX.

Inserto na cerca do Paço Real estaria defronte a ele uma casa, talvez hospital (significando o mesmo que hospedaria na linguagem medieval), que seria dos Templários. Terá desaparecido com o terramoto de 1755 e no seu lugar, no século XIX, levantou-se o edifício onde se instaria o “Café da Avó”, e que também serviu, durante algum tempo, de hospedaria. Nas suas traseiras ficou o complexo de túneis que esbarram no granito da Serra, tal qual a bifurcação subterrânea, oito metros abaixo do nível do solo, do “Café Paris”, ainda com traços, aqui e ali, medievais. Este espaço subterrâneo comunicava com o interior do Paço e possivelmente subiria ao castelo no cimo da serra. Já o complexo nas traseiras do “Café da Avó” possivelmente serviria de hipogeo ou “lugar de culto ctónico” (os dois tanques que aí se vêem são recentes e alguém os deixou aí, talvez por não ter outro lugar onde pô-los…). Ambos os espaços são “notas soltas” de uma vasta rede subterrânea que percorre toda a vila e serra de Sintra. Estão à vista esses dois trechos mas haverão mais, inclusive sob o Hotel Central  cujos alicerces os afogou em cimento quando foi  construído já cerca do último quartel do século XX, sobre um anterior. Há ainda a tulha subterrânea junto à torre de menagem do Castelo dos Mouros e que comunica(va) com o “Rio do(s) Mouro(s)” (Algueirão, isto é, Al-Geirum em árabe, a “Caverna”).

Os Templários teriam acantonado originalmente precisamente no espaço envolvente pela cerca do actual Palácio Real, e tal acantonamento seria bastante vasto, pois que no sentido nordeste abarcaria a hoje Quinta das Murtas, continuando a subir em direcção a São Pedro de Canaferrim (grafado Calaferrim), depois Penaferrim, chegando tanto a Santa Eufêmia da Serra como a São Miguel e o Castelo dos Mouros. Em direcção ao mar, também toda a várzea de Colares lhes pertenceu, e assim Nafarros, Janas, Lourel, Odrinhas, etc., prolongando-se a Santo André de Mafra, enquanto no sentido contrário ia até Santa Maria de Cascais. Tanto em Cascais, como em Mafra e em Colares os Templários tiveram castelos, de que sobejam alguns trechos e estão documentados. Sintra era o principal ponto de acesso a todas essas localidades, era a zona estratégica central, e mesmo assim “os mouros deixaram-na cair sem luta”… Não é isto estranho sobremaneira, deveras significativo?

Após a conquista de Lisboa, em 1147 os mouros de Sintra entregam-se pacificamente a D. Afonso Henriques e os Templários (o mesmo sucedendo em Colares, Cascais e Mafra), e logo são os mesmos Templários que em 1150 dão início à construção da igreja de S. Martinho e às primeiras obras de remodelação no antigo Paço árabe, todo o rés-do-chão deste é obra Templária, como consta da Carta Régia de 18 de Agosto de 1281 (Chancelaria de D. Dinis, 1.º 1.º, fl. 35).

Em 1154 D. Afonso Henriques funda o Município de Sintra e dá Carta de Foral aos seus moradores, colocando a todos em pés de igualdade, «tanto da classe mais elevada como da inferior», fossem cristãos, mouros ou judeus, na mais equitativa e recta justiça, justiça temporal esta cuja manutenção ficou a cargo dos Templários, por serem Guarda Real ao mesmo tempo que Pontifical, tema inserto no mesmo Foral: «Milites simul in anno in Regis exercitu militent pra sua ganancia et non accipiat Tege centum quinquaginta illos nihil».

A primitiva comunidade judaica de Sintra, sefardita, que habitava a actual zona da Vila Velha, foi precisamente a intermediária nos acordes estabelecidos entre o Islão e os Cristãos, e as três religiões acabaram dando-se na mais perfeita concordância. Já desde muito antes Sintra era procurada por místicos judeus e árabes, estes que viviam em azóias e rábitas, quando não em simples grutas ou reentrâncias naturais da Serra, em profundas demandas e vivências espirituais. Quando os Templários chegam aqui, o ambiente é profundamente espiritual nada convidativo a quaisquer pelejas. Eles sentem-se em casa, sentem-se no ambiente natural da Regra, e logo assumem Sintra como Serra Sagrada (como outros fizerem e vinham fazendo), como o TABOR do Ocidente, ao mesmo tempo também GÓLGOTA, ou seja, lugar de ILUMINAÇÃO e DESPOJAÇÃO. Os árabes tinham XENTRA como ponto referencial de MEKA, e os judeus o lugar perfeito de edificação da nova e espiritual JERUSALÉM. Como pegar em armas se não haviam inimigos?… Todos se davam bem… Os mouros da Serra eram morabitos, habitantes de Rábitas, eremitas e santões da Serra da LUA cuja vida reclusiva cedo influenciou alguns cristãos Templários a imitarem-nos. Foi o caso, por exemplo, de Pêro Pais, signífero ou porta-estandarte de D. Afonso Henriques, tendo em 1191 D. Sancho I lhe doado o Monte de S. Saturnino, onde construiu ermida e aí viveu em reclusão eremítica, e também lhe doado a Cella de Colares (Milides), onde também viveu mas preferiu aquela outra, deixando esta aos confrades Templários. Tomou o hábito regular Agostinho de S. Vicente de Fora, onde acabou o resto dos seus dias.

Com tudo isso, é em Sintra que mais se sente aquela parte da sua Profecia: «Quando o Oriente se unir com o Ocidente»…

O convívio espiritual entre as 3 grandes religiões do Livro, proporcionou as condições necessárias ao estabelecimento dos Maiores das mesmas no escrínio da Serra, no seu espaço subterrâneo criado desde os dias passados da Raça Atlante. É aí que os MARIDJ ou MARIZES, os verdadeiros RABIS, se estabelecem (entre os séculos VIII-XII) ligando-se aos seus habitantes BADAGAS recolhidos desde pouco antes do Dilúvio Universal, e tomando a dianteira ou direcção da Cidade que aí está e dando ao seu Templo a feição de Culto de Melkitsedek por nele estar o próprio Senhor recolhido aí desde a Tragédia do Gólgota. E aí esteve por largos séculos adiante, sim, o CRISTO, JEFFERSUS, juntamente com sua Santa Mãe MARIA ou MORIAH… Foi o Nascimento dos Dhyanis-Jivas, na virada do século XIX para o XX, que provocou a transladação de Cristo para outro Posto Representativo, mas de acordo com a Marcha da Evolução avante.

Nisso residirá o Culto Ctónico ou Subterrâneo por parte dos Templários em Sintra, alguns deles, os seus Maiores (AVARATS), com ligações directas à Catedral Universal de LZN, sim, a das “Três Luzes, Lumes, Chamas” do Pai – Filho – Espírito Santo como Mãe, tanto valendo por Satva – Rajas – Tamas ou Prana – Fohat – Kundalini. Ademais, o Culto Universal de Melkitsedek, Chakravarti, Rotan, etc., o do Rei do Mundo, tende sempre para o CENTRO, e o este está tanto dentro da Terra como no interior do Homem. Tudo atendendo a que SINTRA, CYNTIA ou XENTRA é o ÚNICO CHAKRA PLANETÁRIO NA EUROPA, ou seja, PÓLO GEOMAGNÉTICO ou QTUBH, factor supremo que dá foros de MONTE SANTO a este Lugar Privilegiado que desde tempos imemorias tem atraídos povos de diversas partes do Mundo para aí, e daí os irradiando ao mesmo Mundo, após devidamente “laborados”, impregnados das Energias de XVARNAH ou ESPÍRITO SANTO (3.º Logos Criador).

Como o Templário chegava ao Templo do Mestre Interno (a todo o nível), facto assinalado no “PICO DO GRAAL” ou “PICO DOS KURATS-AVARATS” que é a “Pátena” da Taça Sagrada na Serra a CRUZ ALTA? Criando a LUZ DE CHAITÂNIA!

CHAITÂNIA é criada, enquanto MEKA-TULAN ou MAL-KUTH está criada. Esta é o REINO, o MUNDO, aqui, o MUNDO DIVINO no seu sentido último, AGHARTINO, logo, MUNDO SUBTERRÂNEO ou MUNDO DOS DEUSES OCULTADOS. A prova da existência deles e a consequente convivência com eles faz-se por CHAITÂNIA…

Essa última palavra tem muito a ver com a natureza e biorritmo de SINTRA, SERRA DA LUA. Com efeito, CHAITÂNIA nas Escrituras Orientais quer dizer “A LUA”, “A INTELIGÊNCIA”, que aqui é a de SURA-LOKA (a dos “Senhores do Mental”, ASSURAS (Abstracto) e SURAS (Concreto), sendo a 1.ª Hierarquia Criadora, logo, Primordial da Cadeia de Saturno), que como 5.ª Embocadura Astro-Etérica corresponde á mesma SINTRA. Como se constrói a Embocadura LUZ DE CHAITÂNIA ou do Eu Inferior (Alma) que liga ao Eu Superior (Espírito), dando a Iluminação Oculta (donde “Lua”…) ao participe? Com este aprimorando a si mesmo cada vez mais, pela cultura espiritual e o carácter moral, unindo a mente ao coração, e assim gradualmente ir penetrando cada vez mais nos seus Mundos Internos Superiores em consonância com os da Terra, “par e passo”, cada vez mais fortificando e estendendo a sua LUZ DE CHAITÂNIA, o seu canal interno de ligação ao Eu Divino… até chegar ao ponto de encontro com os SERAPIS ou SERES-ÁPIS, Divinos Construtores do Seio da Terra. Grau a Grau, grão a grão, skandha a skandha o Templário ia realizando em si e fora de si (com O MAIOR SIGILO) a LUZ DE CHAITÂNIA e consequente acesso a MEKA-TULAN, “Lugar das Delícias”, SOLAR externo em contraposição complementar àquele LUNAR interno. A presença de labirintos subterrâneos em Sintra, muitos deles feitos por Templários, outros que eles tomaram dos celtas e dos árabes, representa o simbolismo vivo da LUZ DE CHAITÂNIA e da LUZ DE MEKATULAN, rumo ao estado de Andrógino ou Adepto Perfeito, pois que só os CHRESTUS ou ARHATS DE FOGO (4.ª Iniciação Real) têm acesso efectivo ao Mundo Interno da Terra, por efectivamente já estarem ligados ao seu Mundo Interno Superior. Era esta a demanda dos Templários de Sintra, assim também a dos Morabitos da Serra da Lua e de outros mais, inclusive capuchos, carmelitas e até alquimistas como Bernardim Ribeiro no século XVI, recluso voluntário no Castelo dos Mouros, os quais viveram em grutas e cavidades com esse propósito de maior sololóquio e intimidade com o Seio da Mãe Terra.

Para terminar, respigo algumas palavras da Carta-Revelação de JHS de 30.07.1957, atinente ao assunto:

«A LUZ DE CHAITÂNYA está no ODISSONAI, e portanto, na YOGA UNIVERSAL: é Fohat que desce e Kundalini que sobe, encontrando-se na 4.ª Linha. Quando adoptámos 4 Graus Iniciáticos, eles tanto valem como as 4 Linhas que descem, como as 4 que sobem e formam a junção. Uma Tríade Superior no Sexto Sistema, uma Tríade Inferior no Quinto Sistema – formando o HEXÁGONO.»

Poder-se-á estabelecer a seguinte analogia: Tríade Superior – ARA-KUNDA, “ALTAR DE KUNDALINI” ascendendo sobre Sintra (5.º Sistema – Poder Guerreiro); Tríade Inferior – MEKATULAN, FOHAT descendo sob Sintra (6.º Sistema – Autoridade Sacerdotal). E finalmente LUZ DE CHAITÂNIA – PRANA ligando os opostos e logo formando o Andrógino Perfeito, verdadeiro “Rei Sacerdote na Terra” à imagem e semelhança do Monarca e Pontífice Universal.

Continua o Venerável Mestre JHS na Carta citada:

«Cada Grau que o iniciante recebe vale por uma Luz de Chaitânya a caminho da 4.ª, a caminho do Arhat – o Fogo na cabeça do Arcano 15 ou Astaroth. E esses 4 Graus vão com uma vela no Altar do Primeiro Templo, o Manu; duas luzes ou velas no Altar do Segundo Templo, ou Yama; três velas ou luzes no Altar do Terceiro Templo, ou Karma; e finalmente no Quarto, quatro luzes, Astaroth

Isto é, GRAU MANU = Consciência Física; GRAU YAMA = Consciência Física e Emocional; GRAU KARUNA ou KARMA = Consciência Física, Emocional e Mental; GRAU ASTAROTH = Consciência Física, Emocional, Mental e Espiritual.

«Eu penso que em Iniciação jamais se fez semelhante coisa, mesmo porque quem o fez não é apenas a Luz de Chaitânya ao lado de sua Contraparte, mas o Centro Solar de um Sistema trabalhando, ao mesmo tempo, em TRÊS: o 4.º, o 5.º e o 6.º, que é o seu próprio. Deus como Espírito e Alma no Centro do Universo, reflectido no Segundo Trono como Pai-Mãe Cósmico. Sim, a Alma como Luz de Chaitânya, e o Espírito como Luz Universal.»

Eis aí a ILUMINAÇÃO JINA, cujo caminho para ela pelas faldas encantadas da Serra era feita tomando por modelo o CRISTO e a ideia de AMOR, tanto por Templários como por Sufis, e onde não havia ODISSONAI, como JHS elaborou, fazia as suas vezes as récitas corânicas ou psálmicas, preferencialmente cantadas tanto em igreja ou mesquita, como aos ventos da serra ouvidas pelos deuses…

Chegado aqui, põe-se o óbvio da questão que de tão óbvia nunca ninguém se lembrou: porque precisaram os Mouros de fugir do castelo por um subterrâneo se a Almedina de Sintra já havia entregue as chaves do burgo aos conquistadores e estes prometido solenemente paz? Se havia paz não existia razão para fugir!… Pois é, a explicação é bem outra e que aqui revelo pela primeira vez: os 33 MARIDJ que viviam externamente na Serra, eram Adeptos possuidores da LUZ DE CHAITÂNIA, portanto, mais que MOUROS Seres Representativos da Linha MORYA integrados em seus MAKARAS ou Consciências Superiores, e à aproximação dos JIVAS comuns, cavaleiros templários inclusos, recolheram-se ao Seio da Terra, ao interior da CRIPTA GUPTA ou Secreta onde está a Cidade Interna de Sintra. Isto não invalida a probabilidade de ligação subterrânea Sintra – Algueirão, mas não foi para aí que Eles foram, antes para bem mais fundo… Igualmente tal recolhimentos dos Adeptos não invalida até hoje que o singular perfeito incompatibiliza com o plural imperfeito, ou por outra, entre o JIVA e o JIVATMÃ a empatia e ligação natural é… NENHUMA. Os semelhantes atraem-se, e não vejo como um ser comum, mesmo acaso possuído de alguns talentos mentais e coracionais, possa estabelecer relações com o incomum Homem Superior, e este tenha algum interesse naquele, tal como um médium animista por muito carisma que possua não passa da «incorporação» das suas criações, realidades oníricas que não passam disso. Esboroa-se assim toda e qualquer pretensão audaz mas impúbere de contacto imediato e sem mais com os Mestres da Humanidade. A simples aproximação despreparada física e psicomentalmente aos lugares externos desses Seres, por norma incorre em doenças e desfalecimentos, quanto mais a tentativa de aprofundamento sem mais nem menos… Tudo isso é muito perigoso para o comum mortal e até mesmo para os discípulos dando os primeiros passos no Caminho. Razão porque só uma escassíssima minoria de cavaleiros Templários, por exemplo, em Sintra tomou contacto directo com os Mestres Ocultos do Mundo.

Um penúltimo apontamento: as PAZES entre a Sharihâ Almedina e os Cristãos com D. Afonso Henriques e D. Gualdim Pais à dianteira, foram estabelecidas por ACORDO PRÉVIO pela própria ORDEM DE MARIZ, da qual o Rei era o Grão-Mestre, e por isso Sintra como Tebaida do Paraíso Terrestre se entregou dessa forma tão incondicional que até hoje pasma os historiadores mais conspícuos que desconhecem tão grandes e profundos mistérios. Expressando ao mesmo Paraíso Terreal, como lhe chamou Byron, o castelo de Sintra (datado dos fins do século VIII inícios do IX d.C., portanto, quase coevo da Invasão Árabe da Península Ibérica por Tárique) tinha não dupla mas TRÍPLICE cintura de muralhas concorrendo para o CENTRO, como era próprio dos KRAKS ou castelos templários e, sobretudo, das Rábitas ou “Templos-Fortelezas” como era este, com a anexa mesquita de Fátima (quinta filha do Profeta Mahometh e que originou a Linhagem Fatímida) convertida por Afonso Henriques em capela de S. Pedro de Cana ou Penaferrim, isto é, PENA ou BÁCULO e FERRIM ou ESPADA, alfaias expressivas da AUTORIDADE e PODER. As três cintas de muralhas eram representativas tradicionais do Aspirante – Iniciado – Mestre, dos 3 Graus fundamentais de qualquer Ordem de Tradição, correndo para a PERFEIÇÃO ao CENTRO, externamente representada na mesma mesquita/capela, internamente pela EMBOCADURA DENTRO DO CASTELO. Havia, pois, a cintura dupla de muralhas, interior e exterior, esta até meio da encosta, e ainda uma mais abaixo que aí até à Vila Velha e que desapareceu com o tempo. Ainda se vêem CINCO torres, quatro de planta rectangular e uma de planta circular encimadas por merlões piramidais, já sem vestígios dos dois pisos e do sistema de cobertura primitivos. D. Nuno Álvares Pereira, no século XIV, restaurou este castelo e viveu junto a ele, pois que na sua época era o próprio Grão-Mestre da Ordem de Mariz, MLQS. Depois da sua morte e das guerras da independência contra Castela, a fortaleza caiu em desuso e foi abandonada, entrando num estado de grande lástima, até que no século XIX D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha, o “Rei Artista”, ou melhor, o “Rei Iluminado” (pela LUZ DE CHAITÂNIA?…) pegou nele e o restaurou dando-lhe a feição que hoje se vê.

Ainda a ver com a LUZ DE CHAITÂNIA têm-se os lunúlos, objectos arqueológicos tipo ícone em forma de LUA ou com insculturas de LUA descobertos na Serra e que retratam deuses relacionados a cultos lunares pré-históricos aqui processados, prova cabal desta tradição perder-se nos tempos. O seu formato cónico é referência fálica aos “cornos da Lua”, um de prata e outro de ouro, retratando os princípios masculino e feminino por que se realiza a geração, acto que está sempre a cargo da Lua, isto é, da sua influência sideral, regulando os períodos de fecundidade da mulher e de maior atracção por ela pelo homem.

Exemplos de lunúlos

Posta a transcrição quase total dessa minha carta atinente ao tema que aqui me traz, volvo agora ao Islamismo exercido em Xentra, que terá sido aquele do Sufismo Muridínico, no qual o místico sufi se sente cidadão de Deus. Ele nasce da determinação de um novo aprofundamento místico, localizado e matizado com as aportações provenientes de uma sociedade plural em que se constituía a medina de Xentra (mouros, moçárabes, judeus…), da vida mística e da práxis interior. Desta maneira nasce a Filosofia do Amor e a consequente dinâmica Cavalaria Espiritual congregada em azóias ou az-zawiya, espécie de mosteiro onde se treinam as milícias maométicas para a guerra (fatah), passando pela educação da alma – a única verdadeira “Guerra Santa”, Al-Fatah.

Os Azóios, tal como os Templários que ocuparam o supradito lugar das Murtas de Sintra, «policiando» a Judiaria de S. Martinho (Samech), dizia, constituíram-se em verdadeira Cavalaria Iniciática entre dois mundos, o do Islão Místico e o do Islão Patrístico.

Inicialmente, as azóias eram exclusivamente mesquitas com qualificação de madrasas ou “escolas corânicas”, onde se estudava e experimentava o conhecimento dos Estados Universais, Ahwâi, das Moradas Interiores ou Místicas, Maqâmât, e da Sabedoria do Divino, Marifa, em que pela integração ou iluminação Nela constituía-se Maridj.

Esse sincretismo universalista dos Azóios reflectia, por via de seus Mistérios Divinos, Ghayb, aquelas palavras mestras do Profeta no Alcorão, Sura III, Suratas 3, 5, 33: «Deus te revelou (ó Profeta!), o Livro com a Verdade, testemunhando os que o precederam: a Torah e o Evangelho. Nada está oculto a Deus nem na Terra nem no Céu. São descendentes uns dos outros. Deus tudo ouve, é Omnisciente».

Muito antes de se congregar em madrasa mesquital, a génese da azóia originava-se de simples eremitério em torno de um santão como, por exemplo, Becre Ibne David Al-Xintari (“de Sintra”), coevo do Conde D. Henrique, peregrino, eremita, pregador, poeta e asceta da Serra da Lua. Pregou uma nova religião, mistura de Islamismo, Judaísmo e Cristianismo, até que se recolheu, com a sua família, à azóia de Xentra, onde ingressou na Cavalaria Islâmica encetando Jîhad ou “Crescentada”, e morreu em combate contra os Portucalenses, ou melhor, «morreu» na Fé natural e dinâmica que a Al-Fatah ou acção mística da Luz Divina agracia – Marifa.

Maruani As-Xintari pregava a descendência sintriana de Myriam, filha de Fátima, esta por sua vez a quinta filha do próprio Muhammad. Portanto, a sua Fé era claramente matricial com base na dinastia sagrada, conforme a corânica de Marah, e isso ia muito bem com a natureza feminil de Xentra por onde ele peregrinou, acabando instalado junto ao Cabo Mar adiante do Monte de São Saturnino da Peninha, o da Rocha ou Roca de Sintra, na aldeia da Azóia fronteira a Almoçageme, este topónimo com raiz no árabe Al-Mesjide, “a Mesquita”.

Alinhada a direito com a ponta extrema do Cabum Serpens, o da Roca, antes Rocha do Mons Lunae, vê-se coroando o monte dianteiro uma velha anta de povos outros que habitaram estas partes da afogada Atlântida de quem os ligúricos KURATS eram descendentes directos. Essa “anta de Adrenunes” é a prova cabal de que se considerava este promontório sagrado desde os tempos esquecidos do Paleolítico Superior e do Neolítico, aqui, nesta Serra da Demanda eleita Fonte ancestral da Tradição Primordial, na qual o Saber Arábigo terá se saciado.

Anta de Adrenunes, sobranceira ao Cabo da Roca

Almoçageme, Azóia e Peninha constituem-se numa triangulação desde cedo povoada por místicos, santões e anacoretas árabes, moçárabes e cristãos, dentre estes Pêro Pais, porta-bandeira de D. Afonso Henriques, sendo o último, já no século XX, António Augusto de Carvalho Monteiro, que na Peninha construiu “Rábita” muralhada, isto é, levantou pequeno palácio colado à ermida no topo do Monte de S. Saturnino.

Se Sintra é a Montanha mais Ocidental da Europa, assim o é o seu Cabo Mar da Roca de Xentra, o da grega Ofiússa, Serpe ou Serpente indicativa de KUNDALINI, dispondo-a os Deuses Criadores do Universo, isto é, as Forças Arquetipais, nas coordenadas latitude 38º 47 m Norte e longitude 9º 30 m Oeste, estando acima do nível das águas 140 metros (1+4 = 5, valor do Pentalfa).A soma e redução dos valores da latitude dá o 22 do total dos Arcanos Maiores do Tarot, Taro, Tora, Rota ou Caminho Real da Mónada Peregrina do Norte magnético ao Sul sideral. Da soma e redução dos valores da longitude extrai-se o 12 das etapas da Alquimia e dos signos do Zodíaco por onde se processa a Marcha da Civilização de Oeste para Sul – SUDOESTE – rumo ao Extremis Occidis ou Novis Orbis, o BRASIL querido “NOVA LUSITÂNIA” ou Terra de Luz por Pedro de Mariz, no século XVII, como grafou nos seus Diálogos de Vária História.

Um outro místico sufi de Xentra foi o pastoril Ibne Mucane Alisbuni, de Alcabideche (séculos X-XI), de que subjaz memória lapidar no mesmo povoado fronteiro entre os actuais concelhos de Cascais e Sintra. Nessa lápide há o trecho dum poema de Ibne Mucane com o sentido imediato de apelo ao uso do moinho de vento invés da azenha ou moinho de água. Diz:

«Se és ho / mem decidido / precisas de um mo / inho que trabalhe / com as nuvens sem / dependeres dos / regatos…»

Sobre o que Manuel Gandra comenta: «De uma análise, mesmo que superficial, ressaltará imediatamente a circunstância de a divisão silábica da palavra Moinho conferir notoriedade à sílaba MO. Contudo, até o próprio nome do poeta evocado denota a sobrevivência da tradição atlante, ou não se chamasse ele Filho, Herdeiro ou Descendente do Rei de MU, conforme o literal significado de Ibne Mucane».

Tratando-se de um sufi ou esoterista nos arcanos do Livro, logo da Tradição, terei de remeter-me ao sentido subjacente da simbólica do moinho. Este, tal como a , expressa em diversas culturas tradicionais a órbita das estrelas fixas em torno do Pólo Norte, que é vista como um Grande Moinho que se imagina estar ligado ao Centro do Mundo por meio de um Eixo de cristal, chamado na Tradição Iniciática de Tubo Cósmico. O ciclo das Épocas do Mundo, as Yugas ou Idades Cósmicas, encontra-se assim em conexão simbólica com a ideia das rotações do Grande Moinho Universal. Neste caso, ele também representa o efeito nivelador da Justiça e do Destino, que tritura (transforma) todos os grãos (Mónadas). É evidente que a essa também esteja associada a ideia do pão (panis, pan, petra, pedra) que se obtém da matéria-prima dos grãos mediante um processo de beneficiamento.

A simbologia cristã da Idade Média conhecia a imagem do “moinho místico”, em cuja moenda o Profeta Isaías despeja os grãos de trigo do Antigo Testamento, enquanto o Apóstolo Paulo recolhe a farinha do Novo Testamento, e vai muito bem assim por ter sido este o Fundador da Igreja Cristã. Em muitas passagens da Bíblia, uma pedra de moinho que é atirada do Céu (2.º Trono) para a Terra (3.º Trono) é signo de Juízo Divino, especialmente no Apocalipse de São João (18, 21): «Então um Anjo forte (Malachim, em árabe) levantou uma pedra como uma grande mó de moinho e lançou-a ao mar»…

É assim que a do “moinho místico” se liga, fundamentalmente, à representatividade primordial do Sol Oculto que late no Seio do Universo projectando-se no Seio da Terra, mas neste particular, o 5.º Sol Planetário ou CHAKRA purpurino irradiando do ventre fecundo de Sintra a todo o Orbe e o Universo.

Sobre essa simbologia cosmogenética, proferiu o Eng.º António Castaño Ferreira (Coluna J do Venerável Mestre JHS), em 14-2-1948:

«SIMBOLOGIA DO TRÍPLICE LOGOS – Vimos que esse Sol Oculto ou Astro Zero tem por símbolo o círculo puro, o qual significa a delimitação, na “fortaleza sombria do Infinito”, de uma “seteira”, de um vórtice por onde manifestam, nos planos do Ser, a energia, a matéria, a duração e o espaço, que existiam, latentes, no seio da Divina Essência Desconhecida. O círculo puro é, assim, a expressão síntese do Logos Verdadeiro, do Logos Único. Dele se derivam os outros três símbolos, que exprimem as diversas fases da manifestação da Vida Una canalizada pelo Logos, “à maneira da mó de um moinho a espalhar um aljôfar d’água em torno de seu círculo de rotação”. O primeiro deles, o ponto no círculo, representa a primeira diferenciação, o primeiro véu, homogéneo e tenuíssimo, da matéria manifestada a circunscrever-se em pleno Oceano da Eternidade. Daí dizer-se que o seio da Mãe Eterna (da Substância Infinita), como a flor de lótus, entumece e se abre para deixar que a Vida se manifeste. É, ainda, o gérmen no ovo do simbolismo tradicional. O símbolo seguinte expressa a segunda fase da manifestação. O Espírito de Vida, diferenciando a Matéria Universal, dá-lhe o  princípio da polaridade pelo contacto daquilo que se manifesta com aquilo já manifestado. Daí Pai e Mãe, Espírito e Matéria, Purusha e Prakriti. Vem, então, a terceira fase da manifestação, representada pelo  terceiro símbolo. No Ovo do Mundo – já Pai e Mãe activos – Eles se unem e dessa união surgem os Sete Primordiais, os Sete Auto-Gerados, que constituem, colectivamente, a Ideação Cósmica, o também chamado Terceiro Logos. Os Sete Primordiais são os mesmos Dhyan-Choans Superiores, os Logoi. Surgem na terceira fase da manifestação, mas representam, realmente, o quarto estado, a partir do Nucléolo ou Sol Oculto. As três fases da manifestação do Logos Único, expressas pelos três símbolos analisados, são também e impropriamente chamadas por Primeiro, Segundo e Terceiro Logos. Melhor seria chamar-lhes as Três Hipóstases do Logos Único.»

Houve, pois, em Xentra uma Gnose islâmica conformada à ismaelita-egípcia de Hassan Ben Sabbah, o “Ancião da Montanha”, antes, BEY AL BORDI como manifestação deifica do Arcanjo QUIS UT DEUS, antes, o Dhyani-Kumara MIKAEL.

A escatologia corânica de Hassan Ben Sabbah constituía-se Torre de Fé assim predisposta nos seguintes pilares-mores: 3 Profetas maiores – Abraão, Moisés, Muhammad – representativos das 3 Hipóstases Divinas, desta maneira tornadas Pessoas; esses 3 maiores figuravam também entre os 7 Profetas menores – Adão, Noé, Abraão, Moisés, David, Jesus, Muhammad – representativos dos 7 Estados da Vida e Consciência escalonados em 7 Planos universais de Ser; cada um deles era seguido por 12 Imans ou “Líderes” espirituais, representativos dos 12 signos do Zodíaco que é o «relógio» do horário certo do começo e fim dos Ciclos em que se reparte a Vida Universal.

O mundo islâmico aguarda ainda o derradeiro 12.º Iman, o IMAN MADHI (associado ao MESSIAH hebraico, ao PARACLETO cristão e mesmo ao MAITREYA hindustânico), posteriormente identificado pelos descendentes fatimidas da dinastia real ismaelita em Bortuqal – o Portugal Árabe –, os AL-SABBAH, à figura régia e simbólica do Desejado SEBASTIÃO. Essa associação ocorre porque Muhammad Ibn Al-Hassan (f. 874), o 12.º Iman, segundo o milenarismo messiânico islamita se ocultou e desde então se venera como o Esperado, a Promessa Divina, o Madhi.

A par do Madhi a figura de Marah, consignada no Vaso Djin do Islão (posteriormente, segundo o romanceiro medieval, Santo Graal), afinal, ambos o PAI-MÃE, JÚPITER-VÉNUS, Eixos Celeste e Terrestre do Dogma e Rito do Sufismo Sintriano. É desta época de esplendor Sufi – Gnóstico – Cabalístico a organização prolongada ao Presente e ao Futuro do Sistema Geográfico Sintrense, com sete Embocaduras na Serra projectando-se a sete Cidades à sua volta, o que torna toda a Serra Sagrada, e não só este ou aquele ponto, mas TODA ELA, e por esta e outras razões mais que sabidas de TODOS os Teúrgicos e Teósofos portugueses e brasileiros, tendo por balizas ou colunas geográficas as Confraternidades do Egipto e da Índia, connosco vinculadas, a temos difundido no Mundo e defendido do Mal, porque… VALORES MAIS ALTOS SE LEVANTAM! Tão altos quanto os mesmos Valores da Mouraria de Xentra a quem bem cabe aquelas outras palavras do Professor Henrique José de Souza, proferidas em 1941:

«Os Árabes foram poderosamente protegidos pelas chamadas “Forças Invisíveis”. Sim, as que procedem do verdadeiro “Culto de Melquisedec…”, para não dizer, de uma “Religião cujas fronteiras jamais serão transpostas por indivíduos de cultura medíocre, muito menos, possuidores de um carácter abaixo da crítica”…»

Seguidor dos preceitos espirituais de Ahmad Al-Gazalí impressos no seu livro Sawâniah-al’ussaq, “A Instituição dos Fiéis do Amor”, o poeta sufi dos Almorávidas do Andaluz e Estremadura, Ibn Ammâr, teve o arrebate encómio de O Amor singular no profundo espiritual e bem se ajustando ao espírito da Xentra Arábiga, com o qual termino:

A glória do Amor, compreendei-o bem, está na humildade

recatada.

E as suas delícias, tomai-lhe o gosto agradável, são tormentos

ardentes.

Não procureis o poder no Amor…

Pois só os escravos do Amor são homens livres.

por Vitor Manuel Adrião