Sincronicidade e o incosciente colectivo

Alem de acreditar numa série de noções do oculto e paranormal, Jung contribuiu com duas novas noções na tentativa de estabelecer uma psicologia baseada em crenças pseudocientificas. Jung acreditava na astrologia, espiritismo, telepatia, telecinética, clarividência e PES.

A sua noção de sincronicidade é que existe um principio de causalidade que liga acontecimentos que teem um significado similar pela sua coincidencia no tempo em vez da sua sequencialidade.

Afirmou haver uma sincronicidade entre a mente e o mundo fenomenológico da percepção. Sincronicidade é um principio explicatório; explica “coincidencias significativas” como uma borboleta entrar a voar num quarto quando o paciente descrevia um sonho com escaravelhos. O escaravelho é um simbolo do antigo Egipto que simboliza o renascer. Portanto, o momento do insecto voador indica que o significado transcendental de quer o escaravelho no sonho, quer a borboleta no quarto, era que o paciente necessitava ser libertado do seu excessivo racionalismo! Na verdade, o paciente precisava de ser libertado do seu terapeuta irracional!

Que evidencias existem para a sincronicidade? Nenhumas. A defesa de Jung é tão fraca que hesito em repeti-la. Afirma, por exemplo, “…fenómenos acausais devem existir… visto as estatisticas só serem possiveis se tambem existirem excepções” (1973, Letters, 2:426). E “… factos improváveis existem- senão não existiria média estatistica…”  (ibid.: 2:374). E, o melhor de tudo, “a premissa da probabilidade postula simultaneamente a existencia do improvável” (ibid. : 2:540).

Mesmo se existe uma sincronicidade entre a mente e o mundo de tal modo que certas coincidências ressoam com verdades fundamentais, existe ainda o problema de perceber quais são essas verdades. Que guia podemos usar para determinar a correção de uma interpretação? Não existe nenhuma excepto a intuição. O mesmo guia levou Freud à sua interpretação dos sonhos. Do meu ponto de vista, a unica coisa que claramente revelam essas interpretações são os colossais egos dos homens que as fazem.

De acordo com Anthony Storr, Jung era um homem doente que se via a si mesmo como um profeta. Jung referiu-se à sua “doença criativa” (entre 1913-1917) como uma confrontação voluntária com o inconsciente. A sua visão era que todos os seus pacientes com mais de 35 anos sofriam de “perda de religião” e ele tinha com que encher as suas vidas vazias: o seu próprio sistema metafisico de arquétipos e a inconsciência colectiva. Em resumo, ele pensou poder substituir a religião com o seu próprio ego e assim trazendo sentido a todos cujas vidas eram vazias e sem significado. Mas a sua “visão” são ilusões e ficções. São inuteis para pessoas saudáveis. É uma metafisica para o ártico.

A sincronicidade fornece acesso aos arquétipos, que se localizam no inconsciente colectivo e caracterizam-se por serem predisposições mentais universais não baseadas na experiência. Como as Formas de Platão (eidos), os arquétipos não se originam no mundo dos sentidos, mas existem independentemente desse mundo e são conhecidos directamente pela mente. Ao contrário da teoria de Platão, contudo, Jung acreditava que os arquétipos surgiam espontaneamente na mente, especialmente em tempos de crise. Tal como há uma coincidência significativa entre a borboleta e o escaravelho que abre as portas para a verdade transcendental, tambem uma crise abre as portas do inconsciente colectivo e permite que os arquétipos revelem uma verdade profunda escondida da consciência ordinária. A mitologia, afirma, baseia as suas histórias nos arquétipos. A mitologia é um reservatório das profundas, escondidas verdades. Sonhos e crises psicológicas, febres e perturbações, encontros ao acaso ressoando com “coincidências significativas”, tudo são caminhos para o inconsciente colectivo que está pronto a restaurar na psique individual a saude. Isto é a teoria.